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Winelicious | Entrevista com Leonor Freitas

Entrevista com Leonor Freitas

 

Como começou o seu interesse pela vitivinicultura? O que o vinho representa para si?

Nasci no meio das vinhas, e sempre me lembra de associar toda a minha infância às vindimas e as lides associadas às mesmas. Mas ter a consciência que iria fazer da viticultura a minha principal atividade, só foi assumida com a morte do meu pai (Manuel João de Freitas Jr.), e a minha vinda para a Casa Ermelinda Freitas, uma decisão tomada há cerca de 20 anos. O vinho para mim é muito mais do que só uma garrafa, ele é um passado com a sua história, é a história da minha família, é um presente cheio de afetos, de memórias, de emoções e resulta de muito trabalho e envolvimento de toda uma equipa na aposta de fazer sempre cada vez melhor.

A vinha educativa como primeiro ponto de parada na visita guiada aos vossos visitantes aos nossos olhos é um projecto louvável, visto que lhes permite conhecer as diferentes castas, podendo comparar o formato das folhas, perceber as diferentes colorações que os bagos podem adquirir e compreender desde então que o vinho é um produto complexo que se inicia na vinha. Com a enorme variedade de castas que temos no nosso país, comunicar o vinho português torna-se uma arte, é preciso, de certa maneira, informar e educar os consumidores, acredita que têm conseguido fazer isto com sucesso? Qual o feedback que têm tido por parte daqueles que lhes visitam?

Penso que as pessoas que têm tal como eu a oportunidade de possuírem um produto com uma tradição e com um património cultural como é uma vinha, temos a obrigação de transmitir este legado para os mais novos, o poderem continuar. É nesse sentido que a nossa vinha pedagógica, vai ao encontro das escolas e de quem nos visita, para ensinar que as uvas não são todas iguais tem aspetos e características diferente, desde o seu sabor, as suas folhas, etc. O feedback passado pelos nossos visitantes é muito positivo e também nos tem dado a consciência da importância destes projetos, porque já nos tem visitado crianças, que só conhecem a uva que encontram à venda nas grandes superfícies.

A “Casa dos afetos”, a casa de memórias e afectos Ermelinda Freitas inaugurada há pouco tempo na antiga adega da empresa é uma iniciativa bastante interessante na medida em que permite aos visitantes conhecerem com mais detalhes a trajetória da Casa Ermelinda Freitas, bem como alguns dos instrumentos utilizados outrora na vitivinicultura da região. Essa maior proximidade e interação com o público é um dos passos para no futuro oferecer uma experiência de enoturismo mais ampla?

Sim, o enoturismo é uma aposta da Casa Ermelinda Freitas, e o “Espaço de Memorias e Afetos” já é uma realidade. Neste momento quem visita a Casa Ermelinda Freitas, já tem hipóteses de visitar também este pequeno espaço que é da família, e onde se encontra a sua história e objetos que ajudam a ilustrar a mesma.

Sabemos que a Leonor é uma das defensoras das castas portuguesas, mas nos últimos anos a casa Ermelinda Freitas tem apostado no cultivo de novas variedades, inclusive das castas internacionais mais emblemáticas, o que é compreensível quando se quer abordar e abraçar outros mercados além fronteira. Contudo, acredita que com a proporção que o negócio felizmente tomou dá para conciliar ambos os interesses e ser uma das embaixadoras das castas portuguesas lá fora, instigando o interesse dos consumidores por estas castas com menos apelo no mercado internacional ?

A nossa motivação por castas internacionais, começa quando nos apercebemos que lá fora na maioria dos mercados é difícil provarem um vinho de casta portuguesa, pois as mesmas são desconhecidas. A viticultura e enologia em Portugal, tem evoluído imenso e todos os produtores têm feito um trabalho de divulgação fora de Portugal das castas Portuguesas. Eu pessoalmente noto uma grande diferença de quando comecei a ir para as feiras internacionais para o momento atual. Tenho a certeza que as castas Portuguesas se vão impondo e que estamos no caminho certo, para que as mesmas venham a ganhar o seu espaço, conforme merecem.

Acredita que em Portugal devemos explorar novas variedades e apostar mais nas castas autóctones como factor de diferenciação do vinho português no mercado internacional? 

Acredito que vale a pena apostar nas castas portuguesas, porque os mercados internacionais quando as provam gostam, e ficam admirados com a qualidade que conseguimos em Portugal.

 Há alguma casta que possa apontar como sua casta de eleição ou que goste mais de trabalhar?

A minhas castas de eleição são as castas de eleição da região da Península de Setúbal:

Castelão: para os vinhos tintos

  • Terras do Pó Reserva 100% Castelão
  • Quinta da Mimosa 100% Castelão
  • Leo d’Honor

Moscatel de Setúbal – único e emblemático, um produto com mais de 110 anos:

  • CEF Moscatel, não datado:
  • CEF Moscatel de Setúbal Superior
  • CEF Moscatel de Setúbal Roxo Superior

A gestão feminina, uma constante na história desta casa, sendo percebida pelos consumidores através da afetividade, do apelo estético e da preocupação com os pormenores. Como qualquer negócio sabemos que houveram adversidades no caminho, mas sempre apresentaram uma força para levar os sonhos à porto seguro e concretizá-los, assim como garra para conquistar o sucesso. Acredita que os contributos que deu a empresa nas últimas décadas (expansão e maior visibilidade) é também uma maneira de inspirar outras mulheres e fomentar o empoderamento feminino?

Nada foi fácil, tudo foi conquistado com muito trabalho, determinação e sobretudo acreditar que não era por ser mulher que não daria continuidade ao trabalho da minha família. Conforme eu recebi inconscientemente toda a transmissão de valores e força que as mulheres da minha família tiveram, também espero poder ter influenciado a minha geração e as futuras. As mudanças estão dentro de nós próprias e não podemos ficar à espera que alguém as venha fazer por nós.

Para concluir, pode partilhar connosco uma sugestão de harmonização?

Eu particularmente gosto muito de fazer “Galinha Corada à moda de Dona Ermelinda”, que é uma receita tradicional da minha mãe, que gosto de acompanhar com o Dona Ermelinda Reserva, vinho que recebeu o seu nome em homenagem a grande mulher que foi a minha mãe, a representante da 3ª Geração das mulheres da Casa Ermelinda Freitas.

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