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JNcQUOI: O restaurante mais desejado de Lisboa

O restaurante mais desejado de Lisboa não tem estrelas Michelin, mas tem algo de muito especial, ou como diriam os franceses, esse “je ne sais quoi”. A abreviação gráfica da expressão galesa, deu origem ao nome do restaurante JNcQUOI. Pertence ao grupo Luxury Amorim e fica na Avenida da Liberdade, em concreto no espaço contíguo ao histórico Teatro Tivoli. O projeto de restauração é um investimento milionário da Fashion Clinic, a loja multimarca com mais representações de marcas de luxo em Portugal. O JNcQUOI foi inaugurado em Abril deste ano e tem vindo a conquistar os corações de lisboetas e visitantes de todo o mundo. O lema do espaço é “comer, beber, comprar e viver”, um híbrido bem conseguido entre restaurante, delibar, loja para homem, cabine de DJ, uma livraria da Assouline e a pastelaria LaDurée com os famosos macaron franceses, tudo isto distribuídos em três andares. António Bóia é o chef por detrás das iguarias servidas com a maior delicadeza e requinte, entre talheres dourados e manteigueiras em nácar. Vamos almoçar?

 

 

Há um dinossauro a guardar o salão de baile. Aqui, neste salão centenário contíguo ao Teatro Tivoli, e agora restaurante, o decorador catalão Lázaro Rosa-Violán (que também decorou o Bovino na Quinta do Lago) deixou a imaginação voar livre. Mantiveram-se os estucos e os frescos originais, mas o interior do antiga salão de baile está irreconhecível. Há bancos corridos em pele, mesas luxuosas, separadores em cobre, um bar de madeira talhado à mão, mármores e paredes em espelhos bisotados, materiais nobres, candeeiros de desenho e sim, uma réplica de um esqueleto de dinossauro Velociraptor. A decoração está muito bem conseguida e faz lembrar uma versão mais luxuosa, atual e europeia do restaurante Polo Club da Ralph Lauren.

 

 

 O JNcQUOI está na moda, está sempre cheio e é essencial fazer reserva

 

 

 

Entrada do restaurante JNcQUOI no Teatro Tivoli, fundado em 1924 em estilo neoclássico e considerado em 2015 como Monumento de Interesse Público. 

 

 

 

 

Bóia, o chef Português que antes trabalhava na Rio’s em Oeiras, apresenta uma carta com pratos de fácil agrado, com referências nacionais como os “bolos de bacalhau com arroz de tomate”, o “creme de espargos verdes” (9 euros) e internacionais, como os “tagliolini com trufa”, “terrina de foie-gras de pato” (22 euros) ou os “espargos brancos com molho de trufa” (15 euros). Se desejar uma viagem gastronómica pelas iguarias mais luxuosas, sempre pode escolher para entrada um “caviar beluga” (115 euros) ou um “salmão fumado Balik” (36 euros) ambos servidos com blinis.

 

Críticas

O atendimento é bastante profissional, porém, apresenta alguns falhos. Na primeira visita tive que esperar 45 minutos pela mesa, mesmo tendo reserva para as 14h00… só me sentei à 14h45. Nesse dia o staff mostrou-se especialmente arrogante, mas deve ter sido um virus momentâneo, porque entretanto já lá fui outras vezes e trataram-me bem. Uma outra crítica é apresentação dos pratos que poderia ser melhor conseguida, afinal, num lugar tão bonito, espera-se que da cozinha também saiam pequenas obras de arte. Houve pratos, como os espargos trufados (ver galeria) e os tagliolinis cuja apresentação deixou muito por desejar. Mas mais importante que a apresentação é o sabor, e nesse departamento só tenho elegios a tecer.

 

 

Terrina de foie gras, servido com  com brioche tostado e compota de chalotas.

Em segundo plano,  o prato de espargos brancos trufados.

 

 

 Tagliolini com trufas negras: apresentação???

 

 

Quem disse que o arroz de tomate não pode ser fino?

 

 

Tendo em casa a representação da pastelaria francesa mais cotizada do mundo, a LaDurée, é de esperar que a oferta de sobremesas seja fantástica. E é. Vejam este tabuleiro de tentações, trazido à mesa e do qual se pode escolher o nosso veneno doce. Provámos o “mil folhas” e claro, os famosos macarons, crocantes à mordida, mas que imediatamente se desfazem na boca. E se não fosse necessário manter a linha e a saúde, confesso que me teria lançado a todas aquelas tentações de açúcar e manteiga: oh la la! O restaurante tem capacidade para 90 pessoas e está aberto todos os dias, para almoço e jantar (exceto aos domingos que só está aberto para almoço).

 

 O tabuleiro das tentações: doçaria portuguesa e especiladades francesas da LaDurée

 

 

No andar de baixo, encontramos o delibar, com capacidade para 42 pessoas onde se pode degustar parte da carta do restaurante e ainda certos produtos gourmet de charcutaria, queijos, ostras e uma eclética garrafeira. Num dia em que fui lá almoçar rapidamente, o meu pai provou o delicioso bife com molho de pimenta, recomendo!

 

Entre o delibar e as casas de banho – que são absolutas joias de arquitetura de interior- , fica o corner da editora francesa Assouline, especializada em livros de viagens, arquitetura, gastronomia, desenho e decoração. Não resisti em fazer-me uma série de fotografias com os livros deste espaço, que materializam o imaginário que tanto me apaixona e ao qual dedico este blogue. No caminho para as casas de banho estilizadas como cabines individuais, há uma zona circular decorada em espelhos bisotê que desafiam as fronteiras da imaginação  e no centro, a mesa de DJ ganha vida às sextas e sábados.

 

 

A reserva prévia é muito recomendada, através do site: https://jncquoi.com/contacts/

Para mais informação:

JNcQUOI
Endereço: Avenida da Liberdade, 182 (Avenida), Lisboa
Telefone: 21 936 9900

Página web: https://jncquoi.com
Horário: De segunda a sábado das 12h à 00h e domingo das 12h às 18h (restaurante); de segunda a quinta das 10h à 00h; de sexta a sábado das 10h às 2h e domingo das 10h às 18h (delibar); de segunda a sábado das 10h às 22h e domingo das 10h às 18h (loja).

 

 

No país das maravilhas: entre livros de viagens e gastronomia da editora Assouline

“Deixem-me aqui uns dias, para eu acabar de ler isto tudo”

 

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